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Artista plástica Malu Araújo fala sobre a exposição “Natureza Morta em Metal”

Malu Araújo apresenta a exposição “Natureza Morta em Metal” no Centro Cultural Santo Amaro

A artista plástica Malu Araújo, que nasceu em Janduís, no Rio Grande do Norte, e mora em São Paulo há 50 anos, apresenta sua exposição “Natureza Morta em Metal”, que estará em cartaz no Centro Cultural Santo Amaro a partir de 1 de abril de 2026. A equipe da Trinca Produtora, representada por Alexandre Cuba (fundador e gestor cultural) e Conrado Parra (jornalista e assessor de imprensa), esteve presente no Centro junto com a Malu Araújo para a visita técnica ao espaço que também receberá uma Vernissage em 03/04 com apresentação musical do mesmo Alexandre Cuba, músico e compositor.

Nós aproveitamos a visita para gravar uma curta entrevista com Malu para o quadro Intervenção Viva, do programa Arteculando. Confira abaixo a conversa entre Cuba e Malu. A entrevista foi editada para a melhor fluidez do texto. O vídeo da entrevista na íntegra está disponível no final da matéria.

Entrevista com Malu Araújo

Alexandre Cuba (Arteculando): Vamos falar um pouquinho rapidamente sobre a sua obra nesta exposição; ela propõe uma reflexão sobre o comportamento de uma sociedade marcada pelo consumo desenfreado e pela frieza das relações humanas. Malu, conta para a gente qual que foi o processo por trás das suas obras, dessas criações?

Malu Araújo: Olha… na verdade, no começo eu queria fazer só um quadro para mim mesma. Eu fiquei pensando… a inspiração veio daquelas obras, principalmente na cidade de São Paulo, em que as pessoas deixam um tapume e aí eles colocam os desenhos como se fosse uma cidade que fica muito longe, só mesmo o contorno, só a silhueta. Aí eu pensei: “Nossa, eu acho que eu quero fazer um quadro assim”. Aí veio em minha cabeça: vou fazer com tudo que eu achar de metal pela cidade de São Paulo.

Vou fazer um negócio transgressor, um negócio bem fora da caixinha. Eu acho que vou demorar uns 10 anos para conseguir todo esse material. E aí eu comecei a andar, prestei atenção e comecei a achar muito [material]. Logo percebi que seria bem mais fácil do que tinha imaginado. Foi quando entendi que isso precisaria ser falado. Então comecei: fiz um, depois outro e os demais foram acontecendo.

A partir do segundo trabalho, comecei a pensar numa história para compor uma exposição e que seria conveniente levar para a rede estadual de ensino, promovendo debate com os alunos. Depois percebi que seria difícil. As peças são pesadas para serem transportadas.
Optei por tentar expor em Centros Culturais. Confesso que trabalhei muito para chegar até aqui.

Alexandre Cuba (Arteculando): Maravilha. Indo nessa linha da inspiração… o conceito que tem por trás dessas obras… Tem um amigo que fala que a origem da palavra “afeto” tem o sentido de afetar, né? Então, eu imagino que a sua obra tem um objetivo específico de afetar as pessoas. Como você gostaria que isso afetasse as pessoas? Esse seu trabalho genuíno e provocador. Ele é bastante provocador nesse sentido do tempo atual.

Malu Araújo: Sim, então, quando eu comecei a fazer as peças, foi até um pouco desgastante, porque não é uma coisa que “Ah! Como é gostoso fazer, como eu fico relaxada.” Não. Por que eu fico pensando todo o tempo o quanto aquilo deve chocar quem estiver olhando. Existe o fator estético, de uma forma singela, porque eu não sou “a” artista plástica, mas o que estou entregando, acho bem razoável. Mas o que mais me interessa mesmo é que quem olhe […] se incomode, se sinta mal. Na verdade, ela não é feita para enfeitar, ela é feita para incomodar.

Alexandre Cuba (Arteculando): Eu acho maravilhoso você falar isso e ao mesmo tempo que ele é provocador, ele vem, ele tem que ter uma origem de inspiração, né? O que te inspira para chegar e desenvolver uma peça? Conheço algumas delas, não darei spoiler do que será. A estreia está prevista para dia primeiro de abril. Dia 3 estão todos convidados para uma vernissage aqui no Centro Cultural do Santo Amaro. Conta para a gente, você tem uma peça aqui que está em fase de finalização. Como é que te inspira essa ideia de transformar esse material, essa obra-prima, em uma obra grande?

Malu Araújo: Sabe, assim, eu não sei como vou começar ainda. Saio andando pela cidade e aquelas peças começam a aparecer na minha frente. Cada vez que vou fazer um trabalho novo, começam a aparecer coisas que combinam com a ideia original.
A essência deste trabalho leva a pensar que nem tudo está perdido, que ainda dá para fazer alguma coisa.

Alexandre Cuba (Arteculando): Eu vinha pensando sobre isso, Malu. Foi muito interessante você falar isso, porque de alguma forma o artista tem uma expectativa, obviamente, no retorno que o público vai ter sobre o trabalho, né? E ao mesmo tempo é uma coisa que… por mais que seja caótico, esse trabalho, a ideia, o conceito dele, mas no fundo é uma forma de esperança, né? Uma forma de trazer um pensamento confortante do tipo “gente, vamos mudar isso”. Tem como fazer isso, né?

Malu Araújo: Sim… Eu acho que a pessoa que se deparar com os meus trabalhos vai sair com o misto: um sanduíche de um incômodo e de um alívio. E ali pode ser o ponto inicial onde cada pessoa […] vai pensar em possibilidades [do] que ela vai poder fazer. Não é que eu acredite demais na humanidade, mas, enquanto eu estiver aqui, eu tenho que continuar tentando.

Alexandre Cuba (Arteculando): É o papel do artista, né? Eu brinco que a gente, enquanto artista, tem meio que um papel de receptor, né? Aí você recebe essas informações do universo, do cosmo, e aí você tem que dividir isso para pelo menos ressaltar e sinalizar para a população mundial de que a gente precisa mudar esse negócio.

Malu Araújo: Na última exposição que eu fiz, que foi mais fechada assim, teve uma pessoa que estava visitando, que falou assim: “É, tá caótico, mas tem uma certa poesia”. Eu falei: “Sim, tem, né?” Eu não quero que quem veja, saia destruída… a gente fala às vezes de flor…

Alexandre Cuba (Arteculando): Tem uma poesia. É isso, pessoal. Então, dia primeiro de abril, aqui no Centro Cultural Santo Amaro, estão todos convidados para essa exposição fantástica da Malu Araújo: “Natureza morta em metal”. E tende a ser um trabalho incrível. Por 30 dias estaremos por aqui. No dia 3, terei a honra de abrir essa exposição com algumas canções de minha autoria que conversam um pouco com essa provocação da Malu. E eu tô muito satisfeito de estar nesse momento com ela e a gente espera todos vocês aqui para ver essa arte, essa artista incrível Malu Araújo. Obrigado, Malu.

Malu Araújo: Eu fico muito envaidecida de estar com você na abertura. Você cantando, tocando lindamente. Será uma grande abertura.

Alexandre Cuba (Arteculando): Maravilha! É isso, até lá, um beijo!

Serviço:

🗓️ 01/04 às 15h
📍 Av. João Dias, 822 – Santo Amaro, São Paulo – SP
🎟️ Entrada Gratuita | Classificação Livre

Vernissage:

🗓️ 03/04 às 16h
🎸 Alexandre Cuba (Voz e Violão)
🌯 Kitutes para convidados

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