O 38º episódio do Arteculando, programa semanal da Alvarenga TV apresentado pelo artista e gestor cultural Alexandre Cuba, recebeu o convidado Fabrício “Jah Fayah” Elijah nesta segunda-feira (28/09). O episódio foi gravado ao vivo no Studio DRK, localizado na zona sul de São Paulo.
Fabrício é um baterista, percussionista e produtor musical nascido em São Paulo. Ele iniciou sua trajetória na música pela capoeira e consolidou-se como músico profissional, integrando bandas de reggae como QG Imperial, Ambulantes, Al Griffiths e Kevin Isaacs, além de atuar como freelancer em diversos projetos musicais.
Em 2004, Jah Fayah aprofundou-se na cultura rastafári por meio da Fundação Congo Nya, o que inspirou sua pesquisa em ritmos afro-brasileiros e ameríndios, culminando na fundação do Instituto Cultural Bola de Fogo em Itapecerica da Serra (SP). Atualmente, é diretor da Associação Nacional Reggae, promovendo atividades culturais e fortalecendo o reggae e a cultura Rastafari no Brasil. Com mais de 1.000 apresentações e participação em mais de 10 álbuns, acredita no poder transformador da música como ferramenta de cura, progresso e paz mundial.
“Eu vejo a música como veículo de transformação e libertação, porque eu fui transformado. Eu era do crime, era envolvido com um monte de coisa, e, quando eu conheci a música, a música me transformou. Hoje em dia, eu transformo a vida das pessoas: ó que negócio louco! Podia ter morrido, podia ter ido preso, podia ter parado, podia ter virado vendedor de carro, mas a música me curou, me ensinou a curar os outros e hoje em dia eu curo as pessoas através da música”, comentou Jah sobre a importância da música para ele.
Na conversa de uma hora com Cuba, Fabrício falou sobre o poder transformador da música, sua experiência com shows fora de São Paulo, a colaboração na banda Cuba e Outras Ilhas e muito mais.
Jah também falou sobre o impacto da IA no mundo atual:
Nesse mundo de hoje, todo mundo tá falando de fim do mundo, que a IA vai destruir a humanidade, que o ser humano isso, a elite mundial, tal. Beleza, existe tudo isso, mas existe algo muito mais forte, que é essa ancestralidade que tá viva desde sempre. Se a gente parar pra pensar genocídio dos indígenas foi pesado, pesado, pesado. Os indígenas tão aí até hoje. Escravidão dos africanos: foi pesado, pesado. Os africanos tão aí até hoje, a cultura deles tão aí até hoje. Então, assim, ó, o poder que o ser humano carrega quando ele entende que é a imagem e semelhança de Deus, que não é desculpa a palavra, assim, papagaio de pastor, de líder espiritual. Quando a gente descobre Deus dentro de nós, cara, e começa a despertar o Deus do outro, rapaz, esse negócio causa um furdunço.
Assista ao Arteculando #38 abaixo:
https://trincaprodutora.com/wp-content/uploads/2026/09/CubaeRasta.jpeg7371600Conrado Parrahttps://trincaprodutora.com/wp-content/uploads/2023/04/logotrincaheadery-300x95.pngConrado Parra2026-10-02 20:07:502026-10-02 20:07:50Arteculando #38 recebe o baterista e produtor musical Fabrício “Jah Fayah” Elijah
A banda Cuba e Outras Ilhas, formada por Alexandre Cuba (vocal e violão), Bob (baixo) e Fabricio Jah (bateria) fez três show neste sábado (21/03/2026).
A data do show, dia 21 de março, também marca três celebrações importantíssimas e que dialogam com a arte produzida pela banda Cuba e Outras Ilhas: o Dia Internacional das Florestas, O Dia da Eliminação da Discriminação Racial e o Dia Mundial da Poesia. A formação do grupo é composta por Alexandre Cuba (voz e violão), Bob (baixo) e Jah Fogo (baterista). A sonoridade do grupo incorpora rock com música popular brasileira, além de pitadas de soul music e funk norte-americano. A setlist é composta de covers e composições autorais. O repertório tocado incluiu clássicos como Jorge da Capadócia de Jorge Ben Jor em um Pout Porri que conta com Racionais MC’s , Youssou N’Dour, Portshead e Fagner, “Trem Azul” de Lô Borges, “Vapor Barato” do Rappa e “Tive Razão” do Seu Jorge. Algumas das músicas escritas por Cuba e a banda tocadas naquele dia foram “Ele é Demais”, “Olhos Famintos”, “Sobre-Humana”, “Além da Alma” e “A Rua Te Abraça”. O técnico de som do evento foi Zé Koé e sua equipe, que também registrou a apresentação visualmente.
Apresentação da banda Cuba e Outras Ilhas na EMEF Palimércio (Foto: Zé Koé)
O sábado foi um dia ensolarado em grande parte do tempo e essa atmosfera estava presente na identidade do Cuba e Outras Ilhas: tanto no som quanto nas roupas dos músicos, que vestiam cores quentes e que remetiam a países tropicais.
Os artistas, que tiveram o evento produzido pela Trinca, começaram o dia com uma apresentação na EMEF Maria R.L. Pontes (Irmã Dulce) às 11h e depois, mais tarde, às 15h30, fez outro show na EMEF Coronel Palimércio de Rezende. Ambas as apresentações foram na zona sul de São Paulo e fazem parte de uma iniciativa do projeto Escola Aberta – em que escolas municipais abrem suas portas a todos para transformar o lugar em um espaço de convivência, lazer, cultura e troca comunitária. A entrada do evento foi gratuita.
O grupo encerrou a noite com às 23h30 no Cadoz Underground Beer, localizado na zona norte de São Paulo.
A equipe de comunicação da Trinca (formada por Conrado Parra e Nathaly Braga) além de filmar e fotografar os shows, conversou com os três artistas após a primeira apresentação. Confira abaixo a entrevista realizada na EMEF Irmã Dulce.
Qual a importância da arte e a cultura pra você?
Cuba: A arte e a cultura já fazem parte da minha vida a muito tempo, talvez de outra vida. É muito bom viver esse momento e poder produzir o meu trabalho, produzir outras pessoas e fazer conexões com muita gente. Isso pra mim faz toda a diferença. É o que me faz viver, o que me motiva, dentre outras coisas.
Bob: Eu acho que é tudo. É o que forma a juventude, o futuro, pra tudo. É importantíssimo em todos os sentidos.
O baixista Bob (Foto: Zé Koé)
Jah: A arte e a cultura tem uma extrema importância porque ela consegue preencher algumas lacunas que na nossa sociedade precisam ser preenchidas, então a arte faz com que a gente desenvolva o nosso intelecto, o nosso espírito, a nossa sensibilidade. A arte e a cultura são muito importantes para que as pessoas tenham sensibilidade.
Quais são as suas principais influências musicais? E como elas se inserem na sonoridade de “Cuba e Outras Ilhas”?
Cuba: Eu tenho uma influência gigante… eu ouvia de tudo. Eu não tenho restrição quanto a nenhum tipo de arte, inclusive não só a música: a arte, artistas plásticos, a literatura, enfim, todo tipo de arte me influencia. Musicalmente, eu ouvi desde Jorge Ben até Led Zeppelin, então, a extensão é muito grande. E todos os trabalhos que eu faço musicalmente acaba reverberando essa influência. Como eu sou compositor por essência, as letras advém de inspirações de segmentos [como] barroco, parnasiano, coisas, enfim, [como] Aldous Huxley.
Bob: A base é a música popular brasileira, com influências também do pop mundial, influências latinas, do rock, do punk, geral.
Jah: A principal de todas é o reggae, mas eu também tenho muita influência com Tim Maia, com brasilidade, com MPB brasileira, Chico Buarque. Eu gosto muito de Bob Marley, gosto muito de Peter Tosh, mas também gosto muito de Djavan, então eu misturo um pouco do reggae, do funk, do soul e com isso eu consegui trabalhar com o Cuba e fazer a minha parte no Cuba e Outras Ilhas.
Alexandre Cuba (vocal e violão) durante apresentação do Cuba e Outras Ilhas (Foto: Zé Koé)
Deixe uma mensagem para quem não conhece o som do “Cuba e outras ilhas”. Por que as pessoas deveriam escutar Cuba e Outras Ilhas?
Cuba: Essa é, essa é uma pergunta que vale milhões, né? Por que as pessoas deveriam escutar? Uma que não é um dever, né? Elas poderiam ouvir para quem está aberto a coisas diferentes…e não diferente porque é melhor, mas porque é diferente. É uma coisa que eu faço de dentro, do meu coração. Tem as minhas influências, obviamente, mas eu queria dividir isso com outras pessoas, porque eu entendo que o meu trabalho é quase que uma recepção ali. Eu sou um receptor do universo. Alguém me passou isso no universo e eu quero dividir isso com quem quiser consumir. Sejam bem-vindos a esse Arquipélago Cuba e Outras Ilhas!
Bob: Eu acho que é um som bem legal, porque manda uma mensagem social. Não é só pra diversão, né? Tem uma mensagem ali. Acho que é muito importante a divulgação dessa mensagem.
Jah: Olha só… se você não conhece Cuba e Outras ilhas, é hora de você conhecer, porque é um som diferenciado, um som autoral, uma música cheia de poesia e cheia de significado, com uma qualidade musical muito boa. O Cuba é um grande artista, um grande compositor e uma grande pessoa, então se você não conhece Cuba e Outras Ilhas: essa é a hora de você conhecer!
O baterista Jah Fogo (Foto: Zé Koé)
https://trincaprodutora.com/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-22-at-9.43.17-AM.jpeg16001600Conrado Parrahttps://trincaprodutora.com/wp-content/uploads/2023/04/logotrincaheadery-300x95.pngConrado Parra2026-03-26 13:12:312026-03-26 22:11:34Cuba e Outras Ilhas se apresentam e discutem a importância da arte e a cultura